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SEGUNDO SETOR X TERCEIRO SETOR

May 30, 2019

 

                                     

 

O tradicional conceito de empresa enfatiza simplesmente a ampliação e maximização do lucro. Obviamente toda organização necessita de lucro para manter suas portas abertas e "viva" no mercado, porém em alguns casos a busca por lucro se torna praticamente uma obsessão e até mesmo equivocadamente o principal ou o único objetivo da empresa.

 

Para uma empresa atuar com sucesso e se sobressair perante a concorrência, precisa de uma gestão competente, boa infraestrutura, equipes de trabalho qualificadas e capacidade em solucionar problemas de forma rápida e efetiva. Precisa trabalhar com produtos e serviços que atendam necessidades e anseios de um determinado público, servindo seus clientes com o maior nível de excelência possível. 

 

Obviamente para se alcançar um desempenho de alto nível no mercado, se faz necessário investimentos em marketing, tecnologia, recursos humanos, etc.. Ter condições de praticar uma boa remuneração para conseguir atrair e reter profissionais talentosos, é um pré-requisito essencial para que uma empresa tenha condições de servir com qualidade.

 

 

E o Terceiro Setor ? 

 

Como uma organização social com recursos econômicos limitados, conseguirá criar e manter uma infraestrutura necessária para prestar serviços sociais de qualidade? 

Como um projeto social conseguirá contratar profissionais talentosos, pagando salários inferiores aos de empresas do segundo setor?

 

É possível sim montar equipes de trabalho com voluntários qualificados, mas improvável encontrar uma equipe com disponibilidade de atuação em tempo integral, trabalhando e servindo todos os dias de forma continuada. Lembrando também que mão de obra qualificada precisa de uma infraestrutura mínima disponível para atuar, infraestrutura esta que muitas vezes nem os órgão públicos conseguem disponibilizar.

 

Na disputa por bons profissionais no mercado, mesmo com todo o sentido missionário que as organizações sem fins lucrativos possuem, projetos sociais continuam em desvantagem no Brasil. Empresas do segundo setor já bem estabelecidas e estruturadas, conseguem oferecer condições muito mais atrativas de trabalho em relação ao terceiro setor, com remuneração mais alta e planos de carreiras mais estáveis.

 

Em alguns países a contratação de mão de obra no terceiro setor é disputada, já sendo uma realidade algumas organizações sociais realizarem propostas de remuneração superiores a empresas do segundo setor. Aqui no Brasil a realidade está mudando, mas ainda falta um caminho a ser percorrido para que as Ongs consigam praticar uma boa remuneração e ao mesmo tempo oferecer um plano de carreira sólido e atrativo.

 

Sem dúvida a mão de obra voluntária é fundamental para o sucesso de muitas organizações sociais, porém se constituir a única mão de obra disponível, ou seja, a única opção, certamente limitará muito a atuação e rotina de muitas ações e projetos sociais. 

 

Exigências para obtenção de Recursos

 

 

Criar e manter uma infraestrutura organizacional capaz de servir com qualidade...

Atender toda burocracia necessária para conseguir receber recursos públicos... 

Elaborar projetos e implementá-los com total competência...

Avaliar resultados e aprimorá-los constantemente...

Captar “clientes” doadores e fidelizá-los... 

 

Para todas estas necessidades e atividades serem concretizadas, exige-se recursos econômicos e mão de obra qualificada. Com profissionais competentes e disponíveis, é possível entregar serviços sociais de qualidade para a sociedade.

 

Interessante é que aqui no Brasil muitas pessoas ainda interpretam de forma equivocada a remuneração como uma forma de distribuição de lucro. Alguns até defendem que ações sociais devam ser realizadas com mão de obra 100% voluntária. 

 

Sim, muitas ações sociais que desempenham suas atividades exclusivamente aos finais de semana, até conseguem atuar com qualidade e continuidade somente na base do voluntariado. Também sabemos que atividades voluntárias proporcionam muitas realizações pessoais, impactando positivamente a vida de quem serve.

 

Mas o primeiro objetivo é o benefício próprio? Ou o benefício da causa social defendida? 

 

O que é melhor para a causa social, ter recursos para remunerar bons profissionais ou concentrar esforços apenas na prospecção de voluntários?  

 

Lucro X Excedente Operacional

 

O entendimento do que é excedente operacional lança luz no tema.

 

Lucro é obtido através do seguinte cálculo:

Soma de todas as receitas (recursos adquiridos). 

                          menos (-)

Todas as despesas (custos operacionais).

 

O que sobrar é chamado de lucro para as empresas e de superávit para as organizações sociais. Importante destacar que remuneração de colaboradores obviamente não é considerado lucro, pois faz parte do custo operacional da organização social.

 

Para empresas do segundo setor, esta sobra ou excedente financeiro pode ser compartilhado entre os sócios da empresa, que por sua vez possuem permissão jurídica para obterem seus rendimentos e ganhos desta forma.

 

Já no caso das organizações sociais, este superávit deve ser reinvestido integralmente nos programas sociais. Ou seja, uma organização social também deve apresentar excedentes operacionais (superávit), caso contrário, correrá o risco de dívidas e fechamento da instituição.

 

Motivação e Missão

 

Uma organização social deve buscar referências de empresas bem estruturadas, inspirar-se com o profissionalismo, organização e eficiência de empresas bem sucedidas.

 

Mas por outro lado, jamais abandonar ou negligenciar os princípios que motivaram seu nascimento, o propósito, a missão que transcende as moedas de troca. 

 

Muitas empresas do segundo setor respondem com certa facilidade 2 perguntas:

O que fazem?   Como fazem?

 

Mas nem todas conseguem responder com clareza o por quê fazem!

 

Apesar de muitas empresas apresentarem um bonito quadro com a cultura organizacional exposta na parede do Hall de entrada, nem sempre são valores e princípios cultivados de fato e vivenciados pelos líderes e colaboradores.

 

Os valores e propósitos presentes no DNA de uma organização social, alimentam e nutrem o desejo sincero de cada colaborador (voluntário ou remunerado) em servir e ajudar na construção de uma sociedade mais humana, mais unida. 

 

O caos social ainda gera muito sofrimento, motivando diversas Ongs espalhadas em todo Brasil a continuarem persistindo em suas causas sociais. A necessidade em aliviar a dor e disseminar alegria, mobiliza uma força extra para as organizações sociais superarem tantas adversidades e contratempos ainda presentes para quem quer somente ajudar.

 

É justamente as questões do coração que permitem uma organização social responder para si com toda clareza a terceira pergunta: 

Por que faço?

 

 

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Imagem: designer by freepik

 

 

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